segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Nobreza.

Não sei do que eu tô rindo. Mas também não sei que motivo eu tenho pra não rir. Qual o problema? Tô rindo po, que mal há nisso? Ai nego vem e diz que é ironia minha, e que essa minha ironia ainda vai me levar pro fundo do poço. O que nego não entende é que eu preciso dela pra aguentar toda essa coisa de viver sem você. Eu ri quando suas amigas em viram na praia e falaram que eu sou mais bonita do que elas achavam. Ri, primeiro porque eu nunca achei que alguém que me visse na praia me acharia bonita, e segundo porque elas nem sabiam do nosso fim. Ai eu fiquei prestando atenção nelas e a coisa foi ficando engraçada, porque chegou uma outra, provavelmente amiga Dessazinha que você tá se enrolando, e aproveitando que eu tava com os fones nos ouvidos, contou a sua (ou a versão da fulana) do nosso fim. Mas eu tava com os fones desligados desde que eu ouvi seu nome e a frase 'a loira de biquine vermelho'. Ou seja, ouvi a conversa toda. E sabe o que é absurdamente incrível? Na sua versão pra mim, existem muitos detalhes que pra sua Fulaninha foram revelados, mas pra mim não. E nego fala que eu sou ironica. Você é um grande paradóxo. É, isso mesmo, tão revoltante quanto eu usar uma palavra tão rara a toa. Mas você é assim, irritante por nada. Você me irrita só de existir, porque só o fato de você existir já é o maior motivo que eu tenho pra te amar. E te amar me irrita. Me irrita, me deixa sem saber se devo sorrir ou chorar. E nego me manda olhar pra dentro de mim, fazer o que meu coração pede. E eu olho, coloco até os óculos na alma, pra ver se enxergo melhor, mas só o que eu vejo são cenas boas reais se misturando com cenas horriveis imaginadas: você comigo, meu quarto, briga, beijo, suor, corpo relaxado e seu sorriso lindo de quem tá satisfeito. Você com ela, sorrisos bobos, a sensação de que minha personalidade era pesada demais e que a vida é mais fácil sem mim. Nada de suor, nada de corpo relaxado. Mas a mente tá sã, longe das minhas loucuras, e isso vale mais que qualquer coisa que eu já tenha feito pra te ver com um sorriso bobo de quem chegou lá. Falando em suadeira e mente sã, a falta de você, quase me fez ficar mais maluca do que de custume, mas eu me obriguei a forçar meu corpo a entender que só vai te ter assim, de novo, no dia que minha cabeça for capaz de se ajeitar e arrumar um jeito de te trazer de volta. De volta pro meu quarto, pros meus cantos e pra mim. Por enquanto, eu vou rindo, cagando pra nego que diz que eu não tenho motivo pra rir. Eu tenho, em mim, mil lembranças que podem ser catalogadas nos mais variados tipos, da comédia ao drama, do romance ao pastelão...temos nossos momentos, e eu os tenho guardados, em um lugar muito mais confiável que o meu cérebro loiro, no meu coração. E isso, eu descobri, é um motivo gigante pra sorrir, muito maior que a vontade de chorar que eu sinto quando penso em você com ela. Porque eu e o mundo sabemos que amanhã ou depois isso acaba, e o tempo apaga. As nossas lembranças não.